16 de setembro de 2010

Joana D'Arc à Minha Maneira

Este texto foi escrito,na verdade, para uma aula de Português..
Tínhamos de fazer com que a turma fosse parar ao tempo de Joana D'Arc devido a uma mistura de tempos.. E foi isto que saíu.

Tecer uma tapeçaria repleta de cores cinzentas e de desenhos retundantes é o trabalho mais monótono que pode haver. É tão extenuante que Clio, a quem estava destinado esse cargo, acabou por adormecer, enfadada daquele trabalho milenar. Os seus dedos, de tão habituados que estavam, continuaram a trama. A confusão de fios foi tanta que acabou por resultar num nó. Juntaram-se assim as datas de 22 de Maio de 2010 e de 11 de Agosto de 1431.
Joana D’Arc foi acordada cedo por uma grande agitação na rua. As forças francesas haviam atacado o pequeno forte inglês de Saint Loup.
Como não tinha sido informada sobre o acto, dirigiu-se rapidamente ao campo de batalha. Em Saint Loup, a luta já tinha começado. Os franceses fraquejavam seriamente, mas ao verem o estandarte de Joana animaram-se.
- Vocês os dois, RUA! – ordenava a professora de português – E vocês continuem a escrever! Já não vos suporto…
Os alunos do 8º4 tinham a professora mais exigente da escola. Um osso duro de roer.
Um deles suspirou, olhou para o lado, e começou a escrever.
Por momentos decidiu fechar os olhos, para ver se as ideias surgiam mais depressa. Estava perdida nos seus pensamentos, mas foi rapidamente conduzida à realidade pelos gritos histéricos de alguns colegas. Quando abriu os olhos não quis acreditar no que via. Pensou mesmo que estava a sonhar…
Ali estava a turma, em pleno século XV, no meio de uma grande algazarra. Uma grande batalha tinha lugar mesmo ali em frente deles. Enquanto a maior parte dos alunos ainda estava a cair em si, a professora exclamou pálida e quase sem expressão no rosto:
- Oh meu Deus! Joana D’Arc?!
E nesse mesmo instante cai no chão, desmaiada.
Depois de algumas horas, os franceses conquistaram o 1º forte. Festejos não faltaram. A alegria e o sentimento de realização transparecia no rosto dos soldados franceses, mas Joana ainda não estava satisfeita. O seu objectivo não estava concluído. Ainda tinha mais um forte inglês para conquistar.
Escondidos num campo agrícola, os alunos do 8º4 perceberam logo que teriam de se adaptar àquele tempo, começando por trocar de roupa. Alguns dor rapazes foram roubando algumas peças de roupa de estendais não muito longínquos, o que não foi tarefa propriamente fácil.
Encontraram uma casa abandonada, que seria para eles o seu novo lar por uns tempos.
Passaram meses até os alunos refazerem a sua vida, uns arranjando trabalho, incluindo a professora e outros encarregaram-se da lida doméstica.
Estava na altura de atacar o 2º forte. Desta vez Joana e os seus soldados tinham uma boa estratégia, pois só assim é que iriam conseguir obter uma vitória sobre os ingleses, visto que este forte fora construído sobre uma antiga muralha de um mosteiro e era mais difícil de atacar. Mas mesmo assim foram bem-sucedidos a alcançaram a vitória.
Uma mistura de saudações com gritos de vitória fez com que o 8º4 acordasse muito cedo nesse dia.
Correram todos para fora de casa e quando viram o decorrer da cerimónia de boas-vindas bateu-lhes, como que um flashback, que o que aconteceria a seguir não era muito agradável…
Joana D’Arc estava com um mau pressentimento nesse dia. De repente, olha para o lado e vê um monte de miúdos a dizer-lhe para parar e que voltasse para trás, mas no meio de toda aquela confusão nem soube o que lhe havia acontecido.
Quando acordou estava numa cela com mais quatro raparigas. Reparou que uma delas era parecida consigo, mas não quis dizer nada.
Uma das alunas que tinha sido capturada sabia perfeitamente o que iria acontecer. Falou com as outras e juntas contaram a história a Joana, que afirmou já saber, dizendo que tinha sido avisada por Deus, mas mesmo assim perguntou se eram bruxas, ou se também falavam com Deus.
Como sabia que era o fim, uma das alunas decidiu colocar-se no lugar de Joana. Cortou o cabelo, trocou de roupa e despediu-se.
Foi levada para se confessar antes de sofrer o julgamento.
Amarrada em plena praça pública, só conseguia olhar para os amigos que se encontravam no meio da multidão espantados, fitando os seus olhos.
A sua mente abstraiu-se de tudo naquele momento e o fumo invadiu-a, mas por pouco tempo.
Surpreendentemente, o cheiro insuportável a palha queimada desapareceu, o que fez com que ela abrisse os olhos…
- Já acabaram o que vos mandei fazer? – perguntou a professora.
Tudo tinha voltado ao normal e parecia que ninguém se lembrava de nada. Todos aqueles meses tinham-se reduzido a uns meros minutos de concentração.

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