21 de janeiro de 2011

Brincadeira Mortal

Sou a Luciana. Tenho 15 anos e a minha vida era praticamente perfeita.
A minha família era perfeita, os meus amigos eram perfeitos, o meu desempenho escolar era perfeito, não podia pedir mais nada.
A minha mãe costumava ser muito galinha, talvez pelo facto de ser mãe solteira. Tirava fotos ou filmava todos os acontecimentos importantes da minha vida, como quando aprendi a andar, quando me caíu o primeiro dente, entre outras coisas.
Contudo, o tempo foi passando e mudando as coisas. Ela mergulhou num imenso mar de tristeza, não sei a que propósito. Ficou depressiva, nada lhe trazia um sorriso, nada!
Eu fazia tudo para lhe agradar e ela nem sequer me ouvia... Ela estava lá, de facto, mas ao mesmo tempo tão distante...
A tristeza é contagiosa, mas com o passar dos anos, fui aprendendo a lidar com isso.
No ano passado tive que mudar de escola. Foi triste ter de deixar os meus amigos, os meus 'stores, mas, como sempre fui muito aberta no que toca a novidades, fiquei, mais que tudo, ansiosa por conhecer novas pessoas.
Foi surpreendente a forma como me receberam na turma. Todos queriam saber sobre mim, todos me queriam mostrar a escola... Eu estava feliz da vida, mas não por muito tempo.
Sempre pensei muito no meu futuro, por isso, sempre me empenhei na escola. Era uma aluna exemplar, e gostava de mostrar aos professores o que valia, não de uma maneira exibicionista, sempre fui humilde com os outros.
Os meus 'stores novos admiravam as minhas capacidades, os meus colegas, nem tanto.
Comecei a sentir que os incomodava sempre que me tentava juntar a eles, e isso fazia-me sentir desconfortável, portanto comecei a afastar-me um pouco, pensava que era algo de passagem... Mas de repente, e sem eu própria dar conta disso, estava completamente só.
Ninguém falava comigo e eu refugiava-me na música. Passava o tempo a ouvir música, e nada mais.
Mas o mal não se ficou por aí.
Comecei a receber mensagens e mails anónimos ameaçadores onde me diziam as coisas mais cruéis e desmotivadoras que se possam imaginar. Ao início ainda pensei que era apenas brincadeira, mas a "brincadeira" nunca parou...
O que mais me despedaçava eram as chamadas. Ligavam para mim para me rebaixar, insultar, ameaçar e era horrível ouvir na voz deles o ódio intenso que me tinham.
Diziam para eu desaparecer, para me matar.
Fizeram-me acreditar que eu era inútil, que não prestava.
Eu tentava esquecer, mas aquilo.. não tem mesmo outro nome... aquela coisa horrenda já me tinha consumido...
Só há uma coisa a fazer...




O vídeo acabava ali.
Com lágrimas de dor, sofrimento e alguma culpa, a mãe de Luciana pousou a câmara, vestiu o seu casaco negro e saíu de casa.
Meteu-se no carro e chorava sentido-se perdida, morta.
Tudo poderia ter sido diferente se ela se mostrasse mais preocupada, se se tivesse interessado pelos problemas da filha.
E assim, ia pensando, punindo-se a si própria com pensamentos à medida que se dirigia ao funeral da filha.

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