8 de maio de 2011

A Dor de uma Memória

Depois de tantos anos após a tua partida ganhei coragem para falar de ti.
Sinto que desconheço muito a teu respeito, mas ainda me lembro perfeitamente de como o sol iluminava a tua cara, do cheiro do teu perfume, do teu toque, das tuas lágrimas, do teu silêncio, do palpitar do teu coração.
Foi um choque.
Tão grande que penso que passei um bom pedaço da minha vida sentado a ver as horas passarem por mim à velocidade da luz, contemplando o mar através da varanda da nossa humilde casa.
A tristeza secou as minhas lágrimas, a sensação de impotência tapava a minha boca sempre que eu me preparava para gritar.
Gritar aos céus pela injustiça cometida, gritar ao vento, chamar o teu nome... Inutilmente.
Não consigo dizer-te que homem era eu, alguém de quem não te orgulhavas com certeza. Tanto estava triste, como destroçado, injustiçado, revoltado, enraivecido, impotente, céptico.
Por vezes pensava que me tinha conformado, mas era sol de pouca dura. Em meras horas lá estava eu, agarrado ao álcool, tabaco e a fotografias que ia rasgando, para esquecer.
Já não me lembro do sabor da felicidade nem do prazer. São sensações que levaste contigo quando partiste.
Levaste tanto... Levaste tudo...
Deixaste-me aqui, eterno vagabundo nesta vida sem sentido, sem a tua mão carinhosa junto da minha... Mas eu cá ando, agora conformado, sem o prazer falso e mortal do cigarro e da bebida, com a minha alma limpa, porém dorida da intensidade da porrada que a vida me deu desde o momento em que te perdi.

1 comentário:

  1. Intenso e emocional, como deve ser, e num registo lírico como poucos são capazes. Parabéns.

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