11 de agosto de 2011

Perdi-me, perdi tudo (Parte I)

Tinha 5 aninhos quando o meu mundo começou a desabar lentamente.
Levaram a minha mãe e prenderam-na sem mais nem menos (pensava eu na altura) e eu fiquei ali agarrada ao meu pai a chorar desalmadamente...
Tinha notado nela algo de diferente. Ela andava distante, fria.. Chegava mais tarde a casa e saia a meio da noite.. Eu era pequena, por isso não me importei muito. Descobri, mais tarde, que ela foi presa por causa de droga.
Agora rio-me ironicamente do quão despedaçada fiquei, já irão saber porquê.
O meu pai morreu nesse dia, pelo menos a sua alma sim. Aquele corpo sem vida nenhuma, sem felicidade, sem calor arrastava-se agora da sala para o quarto e, na maior parte das vezes, nem se mexia. Mal me falava, deixou de trabalhar, de se cuidar deixou de viver.
Fiquei sozinha. Uma criança abandonada.
Deixei de ir à escola para me entreter com um monte de outras coisas e ninguém quis saber.
Um dia acordei com o som de camiões na minha rua. Alguém se havia mudado para a casa ao lado e, sem conter a curiosidade, desci para ver quem era. 
Para meu agrado era uma família da qual fazia parte uma miúda como eu.
Começamos a falar, a sair e assim me tornei ainda mais independente. Já nem parava em casa.
No meu 16º aniversário ela levou-me à cidade para conhecer alguns amigos dela.
Cheguei lá e deparei-me com um grupinho sinistro de rapazes, mas nem quis saber... Era gente dela, era minha também.
Levaram-nos para uma casa qualquer onde nos disseram haver uma festa... Entramos, falamos umas coisas quaisquer e bebemos, bebemos e bebemos.
De repente ela saltou para o colo do rapaz que estava ao lado dela.
Eu fiz o mesmo.


[Continua]

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